16 maio 2017
♥ Sâmella Raissa ♥

Resenha de Livro #237: Kassan - Paula Vendramini

Título: Kassan (#1 Série Devoy)
Autor: Paula Vendramini
Editora: MODO
ISBN: 9788565588034
Ano: 2015
Páginas: 180
Classificação
    

Kassan é o primeiro livro da série de fantasia nacional Devoy, de Paula Vendramini, publicado primeiramente pela MODO Editora, mas tendo sua segunda e atual edição saindo pelo Selo Lumus, da mesma editora.

Em um mundo fantástico cujo passado fora permeado por disputas de fortes poderes, centraliza-se então uma nova era de sobrevivência, onde a calmaria visto por alto é totalmente falsa. Por dentre as camadas sociais, um grupo de famílias parte do Oculto são as verdadeiras regentes desse mundo, e a Celebriant Devoy faz parte de uma delas, responsáveis pelo poder Kassan. O único problema é que ela nunca quis participar de nada parecido, muito menos ser obrigada a casar-se com o filho da família mais poderosa do meio e se ver fadada ao domínio intenso desse universo. E é então que seu segundo poder começa a agitar-se mais fortemente dentro dela. Sua Intueri alega o perigo óbvio pelo qual ela está rodeada, e durante seu processo de treinamento, ela acaba por descobrir coisas que colocam, ainda mais, em xeque tudo para o qual ela foi criada. E agora? Ficar calada e aceitar o seu destino sombrio ao lado de Nicholas Moringan, ou desprender-se das regras e ir atrás daquilo em que ela acredita?

“Ela sabia que não iria se casar no dia seguinte, mas estar comprometida aos treze anos era um pouco cedo demais.”

À princípio, Kassan nunca passou perto da minha lista de leituras, até que eu li o livro de Lhaisa Andria, que, ao fim das contas, acabou me levando ao livro de Paula Vendramini. Confesso que, porém, até o início de sua leitura, eu ainda não estava tão cativada pelo enredo e os primeiros capítulos se seguiram em uma leitura lenta e cautelosa, mas à medida que eu ia reconhecendo os personagens e me situando melhor no enredo, já mais firmada sobre o que esperar de sua história, consegui me conectar melhor com ela, ao passo que, felizmente, me vi sofrendo as angústias e temores de Celebriant ao longo de sua trajetória como Oculta e noiva de Moringan, e concluo que, felizmente, Paula Vendramini conseguiu se firmar com seu enredo e eu fui surpreendida por uma gama tão intensa e conturbada de personagens, com as mais diversas personalidades e vivências, e muita, mas muita ação! Adrenalina é pouco para o que acontece nesse livro e, senão destrutivo - no quesito dos poderes envolvidos -, possui um traço autêntico e sagaz, intenso e marcante, que impacta o leitor com maestria, nos deixando ansiosos pela sequência.

Celebriant Devoy, em si, é uma ótima protagonista. Apesar de ter lá seus momentos meio de 'garota mimada' e ser um pouco alterada e visivelmente temperamental, ela tem uma determinação incomum e, apesar de não reconhecer isso em si própria, também é dona de um grande coração que, porém, encontra-se corrompido por todos os ensinamentos e treinamentos para o Oculto. Vive em um eterno dilema entre seus dois principais poderes, o Kassan, inteiramente destrutivo e cruel, e o Intueri, com seu senso delicado e sensível ao mundo, fazendo-a ser capaz de reconhecer detalhes e segredos que escapam aos demais, e mesmo se mostrando insegura quando trava essa guerra particular, Celebriant é uma personagem completamente digna do posto de protagonista da história, e é impossível não torcer por ela ao longo do enredo, mesmo diante de algumas situações extremas que ela enfrenta ao longo da história. Outros personagens também se destacaram no decorrer da leitura, como Nicholas Moringan, noivo de Celebriant, e Lune Devoy, irmã do meio da protagonista.
“- Como você fez isso? Como sabia o que eu ia fazer?
- Não se meta comigo, Moringan. Eu não sou uma menina boazinha.”
No início, pensei que Nicholas Moringan se tratava de mais um mocinho conturbado que aflora sua sensibilidade no decorrer da narrativa, mas ele é realmente uma incógnita no que diz respeito a seus sentimentos e batalhas internas. É claro no decorrer da narrativa sua ambição em se tornar o próximo Imperador e conquistar povos e batalhas entre os Ocultos, além de que, com seu Imperi, ele se garante no alcance de adentrar a mente de seus inimigos e assim desarmá-los mentalmente; apenas Celebriant não está tão ao seu alcance como ele gostaria, e é difícil dizer se, por isso e por outros motivos semelhantes, ele queira tanto conquistá-la e tê-la inteiramente para si, apesar de ela deixar claro que não o suporta. Em um relacionamento de fachada e totalmente conturbado, ele seria capaz de destruir Celebriant, e vice-versa, mas ele acaba não o fazendo de todo, me deixando com sérias dúvidas sobre sua real personalidade. Não são esperanças de que ele passe para o lado bom da guerra iminente, mas talvez ele não seja tão ruim como parece. Mas, bem, só talvez. Ainda é cedo para dizer qualquer coisa. Quanto a Lune Devoy, não tenho muitos comentários a fazer, a não ser que ela consegue ser dona da personalidade mais cruel e insensível de todas, sendo, também, dona de uma mente muito perversa e cheia de grandes planos para ocupar o lugar da irmã, que ela sempre achou estar assumindo um lugar que não devia ser seu.

No entanto... nenhum personagem me intrigou mais do que a jovem Saori. Como a filha mais nova dos Devoy e a única a não possuir um poder principal além do segundo poder de Speed, ela é, na maioria das vezes, ignorada pelos próprios pais e a irmã Lune, recebendo apenas a atenção e amor incondicional de Celebriant, que vê na pequena a única pessoa capaz de compreender seus anseios, temores e segredos. Se eu já havia gostado bastante dela apenas por sua personalidade sensível e doce, além de sua forte e sincera relação com a irmã mais velha, Saori ainda consegue surpreender em vários momentos com uma mentalidade e inteligência por vezes madura e sensata, e é aí que percebemos que ainda há muito a ser descoberto sobre ela no decorrer da série Devoy. Ela, assim como Celebriant, é uma personagem marcante e cheia de presença, e eu mal posso esperar para descobrir os outros segredos que ela tem a esconder. Sua importância na trama e em toda a jornada de Celebriant só é maior do que parece.
“- Intueri não são muito bem aceitos por aqui, não é mesmo?
- E somos aceitos em algum lugar?”
No mais, só posso concluir que Kassan foi uma leitura intensa e impactante, dotada de muita ação, segredos e dramas particulares que só ressaltam ainda mais o brilho da obra. A autora foi feliz em criar e desenvolver seus personagens e todos os pontos do enredo, e o final é de tirar o fôlego de qualquer leitor. Felizmente, o segundo e o terceiro livro já foram lançados, o que apazígua um pouco a aflição pelo o que virá a seguir nos próximos volumes. Mas se o primeiro já fez estrago, imagina os outros... Mas livro bom é assim; te enche de grandes emoções durante sua leitura e a ansiedade e expectativa para os próximos volumes só cresce. Leitura mais do que recomendada!

Comentários via Facebook

1 COMENTÁRIOS:

  1. Como é bom ler um livro que supera nossas expectativas assim.
    Personagens cativantes e com personalidade misteriosa como o Morigan, nos deixa cada vez mais envolvidas com a trama.
    É um livro curto, mas que pela resenha mostra a que veio sem enrolação .

    Boa dica!

    ResponderExcluir