10 setembro 2016
Profª Nara Dias

Resenha de Livro #209: A Garota no Trem - Paula Hawkins

Título: A Garota No Trem
Autor: Paula Hawkins
Editora: Record
ISBN: 9788501104656
Ano: 2015
Páginas: 378
Tradutor: Simone Campos

Onde Comprar: Amazon | Livraria Saraiva
Classificação


Ao receber em mãos "A garota no trem", primeiro livro da jornalista britânica Paula Hawkins, publicado pela Editora Record, algumas colegas que já haviam lido recomendaram, entretanto, o que mais me chamou à atenção foi o fato de ter sido comparado ao sucesso "Garota Exemplar".

A protagonista é Rachel Watson, uma mulher vivendo seu pior momento, sem emprego, alcoólatra, acima do peso, vivendo num quarto dentro do apartamento de uma colega e que apesar de estar divorciada, mantêm o sobrenome de seu ex, Tom. Sem coragem de admitir que precisa de ajuda para se reerguer, Rachel sai de casa diariamente como se fosse trabalhar, pega o mesmo trem, tanto para ir como para voltar, no entanto anda sem rumo, bebe...

Durante esse trajeto diário, ela se distrai observando um casal "perfeito" que chama de Jess e Jason, o ponto alto de seus dias, o casal tem uma casinha próxima à linha do trem. Numa dessas indas e vindas, é surpreendida por uma cena que a deixa chocada, no dia seguinte, fica estarrecida ao saber que Jess, que na verdade é Megan Hipwell está desaparecida. Além de não saber como voltou para casa após ter visto a cena, Rachel está suja e machucada, mesmo aterrorizada por suas incertezas, decide prestar seu depoimento a respeito do que viu, mas acaba envolvendo-se de tal forma que a leitura torna-se agonizante, afinal não é uma testemunha confiável. Com seus frequentes lapsos de memória, Rachel luta por tentar desvendar o que está por detrás desses apagões.

A narração é feita por Rachel, Megan e Anna, ex-amante de Tom, atual esposa e mãe de uma menina de cerca de dois anos de idade. Cada capítulo inicia com o nome da narradora e a data em que aconteceram os fatos, às vezes isso torna a leitura um pouco confusa, porque horas a história está no presente, passado distante, passado recente... O livro é considerado um thriller psicológico, ou seja, um suspense, onde nem tudo é o que aparenta, aos poucos vamos moldando cada um dos personagens e a cada página uma nova descoberta.

No dia 22 de Setembro está prevista a estreia da adaptação cinematográfica, o trailer força um pouco na questão sexual e traz a protagonista magra e não tão acabada como descreve no livro, porém não custa conferir.
"Não sou mais o que eu era. Não sou mais atraente, acho que no fundo sou repelente. Não é só o fato de ter engordado, ou de meu rosto estar inchado de tanto beber e de dormir pouco; é como se as pessoas conseguissem ver o estrago em mim como um todo, elas veem isso no meu rosto, na minha postura, nos meus movimentos.

Não posso nem me zangar com ele, porque tem razão em desconfiar de mim. Já dei motivo para isso no passado e provavelmente vou dar de novo. Não sou uma esposa modelo. Não sei ser. Não importa o quanto eu o ame, nunca será o suficiente.

No trem a caminho de casa, ao analisar tudo o que deu errado hoje, fico surpresa por não estar me sentindo tão mal. Pensando bem, já sei por quê: não bebi ontem à noite, e não sinto vontade de beber agora. Estou interessada, pela primeira vez em muito tempo, em algo que não seja minha própria desgraça.

Eu estava aterrorizada. A lembrança não casa com a realidade, porque não lembro de raiva, de fúria. Lembro de sentir medo."

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