26 março 2016
Profª Nara Dias

Resenha de Livro #199: Toda Luz Que Não Podemos Ver - Anthony Doerr

Título: Toda Luz Que Não Podemos Ver
Autor: Anthony Doerr
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788580576979
Ano: 2015
Páginas:528

Classificação

Depois de me apaixonar pelo título e belíssima capa do livro Toda Luz Que Não Podemo Ver, a sinopse me cativou profundamente. No entanto, me assustei ao ter em mãos um exemplar tão imponente com suas mais de 500 páginas, a capa possui uma textura interessante ao toque, para mim seria um desafio, o livro não parecia ser uma leitura leve, mas eu desejava encarar. A lista positiva que precedeu a leitura foi instigadora: O livro recebeu em maio passado, uma das mais importantes premiações, o Pulitzer. Essa é o quinta obra de Anthony Doerr, todas com alguma premiação. Permaneceu por mais de um ano na lista dos mais vendidos do The New York Times, mesmo eu não me importando muito com essa informação.

Para a pessoa que almeja iniciar essa leitura é importante também obter algumas outras informações para não desistir antes de se apaixonar pela história. O início foi extremamente difícil, alguns livros são assim, demoram para que nosso cérebro consiga construir com clareza personagens e ambientes, um simples sumário teria facilitado bastante, já que a história é um vai e vem de datas, que mostram seus personagens principais: Marie-Laure e Werner. Também senti falta de um mapa, para mostrar as distâncias entre alguns dos locais mencionados como: Paris, Saint-Malo, Zollverein, Essen, Berlim e Evreux.

Apesar dessa confusão inicial, a história vai acontecendo de um modo em que não é possível abandonar a leitura, a trajetória de cada um dos personagens desde a infância e o desencadear da 2ª Guerra Mundial incita a expectativa de que Marie-Laure e Werner se encontrem.

Marie-Laure LeBlanc com suas limitações, dúvidas e questionamentos, mora na França junto de seu pai, simples e fiel trabalhador do Museu de História Natural. Devido a cegueira da filha aos seis anos, utiliza seu talento natural para esculpir uma maquete do bairro onde vivem, com o intuito de ajudar a filha a se localizar sem depender de outras pessoas.
"Quando perdi a visão, as pessoas disseram que eu era corajosa. Quando meu pai foi embora, as pessoas disseram que eu era corajosa. Mas não era coragem; eu não tinha escolha. Acordo todos os dias e vivo minha vida. Você não faz a mesma coisa?" - página 468.
Werner Pfenning mora na Alemanha com sua irmã Jutta, na Casa das Crianças, apesar de órfãos, no lar recebem amor de Frau Elena, responsável do local. Desde sua infância Werner mostra talento excepcional para as áreas mecânica e elétrica, através de diversos consertos que faz à rádios dos vizinhos, consegue, uma oportunidade e segue para estudar no Instituto Nacional de Educação Política, escola Hitleriana para crianças e adolescentes, onde tem seus valores provados a todo momento.
"As pessoas vão dizer que você é pequeno demais, Werner, que você veio da ralé, que não deveria sonhar grande. Mas eu acredito em você. Acho que você vai realizar feitos incríveis." - página 33.
Outros personagens ganham espaço no enredo, Daniel LeBlanc, pai de Marie-Laure, que recebe a incumbência de transportar a raríssima joia chamada Mar em Chamas, quando os nazistas chegam à Paris em junho. Etienne, tio avó de Marie, após ter estado em combate na primeira grande guerra e perdido seu amado irmão, vive recluso em sua própria casa por quase vinte e quatro anos, Etienne é apaixonado por ciências, artes e música, é um grande excêntrico, que Marie rapidamente passa a amar. Madame Manec, trabalha para a família de Etienne desde criança, mostra a energia e eficiência das pessoas que não se curvaram perante à guerra, mas que fizeram de tudo para contribuir de alguma forma, sustentando os necessitados e arriscando a própria vida; reflete bondade, ânimo e disposição em serviço do próximo. Frederick, amigo de quarto de Werner, apesar de ter suas habilidades, vive num mundo paralelo, observador de pássaros, reconhece cada um apenas ouvindo seu ruído; porém, só existe lugar para os fortes e cruéis soldados de Hitler. Sargento-mor Reinhold von Rumpel é um oportunista, encontra na guerra brechas para seguir as pistas do Mar em Chamas, é implacável com todos que estão no seu caminho, no entanto, possui uma fraqueza.

A história é dividida em treze partes, a ênfase é no ano de 1944, que o autor fragmenta e espalha em quase todo o livro, mas passa também por 1934 à 2014. Impossível de prever, não consigo deixar de dizer que o final é arrebatador. 

As atrocidades da guerra conseguem acabar com a bondade existente no mundo? Quais são as consequências para ambos os lados? Marcas que todos tentam esquecer.
"A parede, o chão e a parte debaixo da cama dela permanecem frias. A casa ainda não está em chamas. Mas por quanto tempo? Acalme-se, ela pensa. Concentre-se em inspirar, expierar. Inspire de novo. Ela permanece embaixo da cama. Diz para si mesma. Ce n'est pas la realité - Esta não é a realidade".


"Então, crianças, como o cérebro, que vive sem uma centelha de luz, constrói para nós um mundo cheio de luz?" "Abram os olhos e vejam o máximo que puderem antes que eles se fechem para sempre." "A própria vida de qualquer criatura é uma centelha que logo se esvai em uma escuridão impenetrável." 

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7 COMENTÁRIOS:

  1. Oi!
    Ainda não li nada do Anthony Doerr e já tinha lido a sinopse do livro e gostando mas lendo a resenha quero muito ler, achei bem interessante temos uma historia em um período de tempo tão grande, parece ser uma historia bem envolvente e com personagens interessantes e se tiver oportunidade quero ler !!

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  2. Quando vi a capa desse livro, fiquei super interessada, mas depois de ver que era uma história de época e envolvendo a 2ª Guerra Mundial perdi o interesse (trauma deixado pelo livro "A Menina que Roubava Livros"). Quando vi que tinha mais de 500 pgs fiquei com menos vontade ainda. Mas sua visão da história e essas citações que você fez me deixaram com vontade de dar uma chance ao livro. Pareceu ser uma história encantadora (ainda estou com um pé atrás por ser durante a guerra).

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  3. Assim como você, me apaixonei pelo livro só de olhar pela capa e ler a sinopse... é realmente tocante! Ainda não tive a oportunidade de lê-lo, mas a julgar pela resenha, é possível se colocar no lugar da personagem principal Marie-Laure LeBlanc e ver o mundo como ela o vê, sentir-se como ela se sente.
    Preciso ler imediatamente!

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  4. Maria Fernanda Pinheiro28 de março de 2016 09:04

    Esse livro parece ser incrivel
    Estou querendo muito ler, parece se tratar de uma história inspiradora e envolvente

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  5. Eu tenho muita vontade de ler esse livro, mas ainda não tive oportunidade. A capa é realmente maravilhosa, e a grossura do livro dá um pouquinho de medo kkk
    Eu adoro livros que acontecem durante a guerra, e tenho certeza de que esse vai mexer muito comigo. Eu amei a resenha, vou tentar lê-lo logo, beijo!

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  6. Capa maravilhosa 😍😍😍😍
    O livro foi para a listinha de próximos 👍👍

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  7. Que capa mais linda, Senhor! A grossura do livro é ainda melhor <3 Parece ser um livro tocante e surpreende, ta todoo mundo falando dele. Ele ta na minha wishlist.

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